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Saturday, October 24, 2020

Disautonomia pós-Covid-19

Temos ouvido muitos casos de pacientes que se recuperam de Covid-19, mas continuam tendo sintomas estranhos como taquicardia e falta de ar que melhoram quando sentados ou deitados, fadiga, tontura, brain fog, dores internas, tremores, problemas intestinais etc. São os chamados "long-haulers". A maioria dos sintomas é muito semelhante aos de disautonomia pós-viral e, de fato, há relatos de pessoas que comprovadamente desenvolveram disautonomia pós-viral depois de serem infectadas pela Covid-19, principalmente POTS (Síndrome Postural Ortostática Taquicardizante), o que pode ser confirmado pelo exame Tilt-Test.

Nos Estados Unidos, o CDC (Centro de Controle de Doenças) apresentou recentemente um relatório que descreve que a Covid-19 pode resultar em doença sistêmica prolongada mesmo em pacientes mais jovens e que tiveram sintomas leves. 

Sintomas da síndrome pós-Covid-19 incluem:

- Fadiga excessiva

- Problemas de sono

- Dificuldade de respirar

- Dificuldades de concentração

- Dificuldade de pensar claramente (brain fog)

- Desregulação da temperatura interna

- Taquicardia ao ficar em pé

- Gastroparesia

- Arritmias


Nem todos os pacientes que se recuperam da Covid-19 permanecem com sintomas sistêmicos prolongados, e não se sabe ainda por que isso acontece com alguns pacientes e não com outros, mas estudos já estão sendo conduzidos para tentar entender melhor essa população. 

Diagnóstico

O melhor exame para detecção de disfunções autonômicas ainda é o Tilt-Test, ou teste da mesa inclinada. Qualquer médico pode solicitar este exame, mas é mais comum na cardiologia e neurologia para investigação de síncopes (desmaios). Esse exame pode dar falso negativo, pois nem todos os pacientes têm taquicardia ortostática ou hipotensão postural todos os dias, pode ser necessário repetí-lo, porém ainda é a melhor forma de monitorar os eventos autonômicos em ortostase. Apesar de ser um teste frequentemente realizado para investigar síncopes, não é necessário ocorrência de síncope durante o exame para se caracterizar disautonomia. Presença de alterações autonômicas, como queda acentuada de pressão após ficar em pé (hipotensão ortostática) ou aumento de frequência cardíaca em 30 ou mais batimentos por minuto após ficar em pé, na ausência de hipotensão ortostática, ou manutenção de frequência acima de 120 bpm durante a inclinação, fazem o teste ser positivo para disautonomia. 

Ainda não se sabe se a disfunção autonômica nesses pacientes é permanente ou temporária, mas aparentemente trata-se de uma sequela incomum. Também não é possível afirmar se o vírus inativado em vacinas causaria disfunção autonômica, mas diversos casos de POTS pós-imunização contra outros vírus (como HPV, mononucleose e gripe) já foram relatados, então essa hipótese não deve ser descartada em futuros estudos.

Caso esses pacientes não se recuperem totalmente ou demorem muito tempo para se restabelecer, teremos um aumento significativo no número de pacientes com disautonomia e é imperativo que os médicos brasileiros entendam mais sobre essa condição. Infelizmente, no Brasil ainda temos poucas informações corretas a respeito das disfunções autonômicas e pouquíssimos médicos com conhecimento suficiente para tratar as muitas faces desse problema. Muitos pacientes acabam sendo diagnosticados equivocadamente com distúrbios psiquiátricos como ansiedade e depressão e recebem tratamento errado, que não resolve seus problemas. É preciso aumentar a conscientização sobre disautonomias no Brasil.

Para quem se recuperou dos sintomas da Covid-19, mas continua doente, sem entender o porquê de seus sintomas, peça ao seu médico que solicite um Tilt-Test e proceda com as investigações para disfunção autonômica.

Tratamento

O tratamento pode ser feito com fisioterapia, oxigenoterapia e medicações como fludrocortisona, betabloqueadores, pró-cinéticos, entre outros outros, pois o tratamento é individualizado e vai depender dos sintomas e da condição clínica de cada paciente. No entanto, as alterações de estilo de vida costumam ser estratégias não medicamentosas que auxiliam a todos os pacientes em recuperação das disfunções autonômicas, e é algo que a própria pessoa pode fazer mesmo antes de passar em consulta médica. Das adaptações de estilo de vida mais importantes, vale destacar duas: beber no mínimo dois litros de água por dia e manter exercícios físicos regulares. Mesmo diante de fadiga incapacitante, o paciente deve se esforçar para manter uma rotina de exercícios, ainda que leves, no limite de sua tolerância. Alguns estão acamados e devem fazer exercícios deitados, mas o importante é não parar, pois a perda de condicionamento físico agrava o problema. 

Para ver o texto sobre adaptações de estilo de vida para POTS, clique aqui.



Fontes:

COVID-19: statement by the Autonomic nervous system disorders Scientific Panel https://www.eanpages.org/2020/04/17/covid-19-statement-by-the-autonomic-nervous-system-disorders-scientific-panel/

A case report of postural tachycardia syndrome after COVID-19 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7471493/

Covid 19: Os que se recuperam "pero no mucho" https://dorcronica.blog.br/covid-19-os-que-se-recuperam-pero-no-mucho/

An Unusual Post COVID Infection Problem: Dysautonomia http://radiomd.com/show/her/item/43051-an-unusual-post-covid-infection-problem-dysautonomia

Redefining COVID-19: Months after infection, patients report breathing difficulty, excessive fatigue https://wtop.com/coronavirus/2020/09/redefining-covid-19-months-after-infection-patients-report-breathing-difficulty-excessive-fatigue/

Dysautonomia and Postural Orthostatic Tachycardia Syndrome (POTS) https://childrensnational.org/visit/conditions-and-treatments/brain--nervous-system/dysautonomia-and-pots

Postural tachycardia syndrome after vaccination with Gardasil https://www.researchgate.net/publication/43200199_Postural_tachycardia_syndrome_after_vaccination_with_Gardasil

Orthostatic intolerance and postural tachycardia syndrome as suspected adverse effects of vaccination against human papilloma virus https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25882168/

Teste de inclinação (Tilt-test) - do necessário ao imprescindível https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2011000300012


Sunday, September 3, 2017

Sintomas mais comuns de disautonomia



Já se perguntou por que você sente alguns sintomas, mas não outros? É normal. Somos todos diferentes. Esta é uma lista bastante detalhada de sintomas de disautonomia que você pode ou NÃO experimentar:


Esta é uma lista compilada de sintomas organizados por pesquisadores de disautonomia. Você pode entender o porquê de o quebra-cabeça ser tão grande e difícil de montar e por que na maioria dos dias a vida é uma luta para nós. Em qualquer momento, podemos experimentar qualquer combinação dessas coisas não apenas a cada dia, mas a cada hora.


Vertigens
Desmaio ou sensação de quase desmaio
Apagões
Fraqueza generalizada
Palpitações (batimento cardíaco irregular que causa percepção consciente das batidas)
Tremores (vibração descontrolada de partes do corpo)
Atividade semelhante a convulsão
Falta de ar
Desconforto e/ou dor no peito
Perda de transpiração
Suor excessivo
Gastroparesia (Esvaziamento gástrico lento)
Inchaço abdominal após as refeições
Náusea
Vômito
Dor abdominal
Diarreia
Constipação
Disfunção da bexiga
Poliúria (urina excessiva)
Disfunção das pupilas
Visão borrada
Visão em túnel
Fadiga (que pode ser incapacitante)
Distúrbios do sono (pode causar sono não reparador e aumento da necessidade de sono)
Dores de cabeça/enxaqueca
Dor miofascial (o tecido conjuntivo que cobre os músculos)
Dor neuropática
Tontura
Taquicardia (batimento cardíaco acelerado)
Bradicardia (batimento cardíaco lento)
Intolerância a exercícios
Rubor
Hipotensão pós-prandial (diminuição da pressão arterial após as refeições)
Acúmulo de sangue nos membros inferiores (pode causar sensação de peso nas pernas e fazer com que pareçam manchadas e arroxeadas ou inchadas até o dobro da espessura normal).
Intolerância ao calor
Sensação de frio generalizado
Diminuição da pressão arterial ao se levantar
Insuficiência cognitiva (pode incluir dificuldades de concentração, confusão mental, dificuldade de memória ou de se lembrar de palavras)
Diminuição da diferença entre pressão sistólica e diastólica
Mãos frias (e, frequentemente, pés e nariz gelados, também)
Hipovolemia (baixo volume sanguíneo)
Calafrios
Pressão alta
Hiperventilação
Dormência ou sensação de formigamento
Dor lombar
Dor no pescoço e ombros
Sensibilidade a ruído
Sensibilidade a luz
Desequilíbrio
Arritmias (batimento cardíaco irregular)
Sensibilidade química (pode ter múltipla sensibilidade química e pode ser extremamente Sensível a medicamentos — necessitando apenas de pequenas doses)
Facilmente sobrecarregado por estímulos externos
Alergias alimentares ou sensibilidades alimentares (alguns alimentos parecem piorar os sintomas
Hiperreflexia (reflexos muito reativos)
Ciclos menstruais irregulares
Perda de apetite
Perda de libido
Dores musculares e/ou dores nas articulações
Linfonodos (gânglios) inchados
Polidipsia (sede excessiva)
Perda ou ganho de peso
Sensação de estar desconectado do ambiente
Síndrome das pernas inquietas


O que é disautonomia?

Fonte: Dysautonomia International   Disautonomia é um termo genérico usado para descrever vários problemas de saúde difere...